
O governo federal acaba de fazer o anúncio de liberação de R$ 380 milhões de reais para a compra de grãos, com valor mínimo pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Alguns setores até comemoraram a notícia, mas de acordo com o presidente do Sindicato Rural Patronal de Toledo, Nelson Paludo, a história é antiga e normalmente não chega ser palpável pelos produtores rurais. “Até agora não aconteceu nada. O governo sempre anuncia medidas para ajudar o produtor rural e no fim das contas pouca coisa ou nada acaba acontecendo. O produtor realmente precisaria deste benefício para pagar suas contas e este valor seria muito bem vindo, apesar de ser pouco, se formos considerar o volume do que é produzido no país”, analisa.
BAIXA COTAÇÃO
O valor atual de mercado está bem abaixo do que o preço mínimo estabelecido. Em Toledo, a saca de milho com 60 quilos estava sendo comercializada ontem (9) a R$ 14,00, sendo que o valor mínimo para o produto é de R$ 17,46. O feijão é um dos mais prejudicados pela especulação. Com o preço mínimo em torno de R$ 80,00 a saca, o produto chega a ser comercializado a R$ 40,00. A soja foi outro grão que sofreu forte queda nas últimas semanas. Em Janeiro, o produto ainda era comercializado a R$ 40,00 a saca de 60 quilos. Nesta terça-feira, o produto valia R$ 31,80 em Toledo.
PESSIMISMO
Para Paludo, a perspectiva de um ano bom, cai por terra, ao se deparar com valores e políticas como as atuais. “O produtor faz orçamento, planeja o plantio e na hora de colher, acaba novamente tendo prejuízo. Isso acontece todos os anos. O governo anuncia medidas que não são cumpridas pelas partes envolvidas por não darem o respaldo que o produtor rural merece e isso desanima cada vez mais os nossos agricultores”, lamenta.
O presidente sindical é ainda mais pessimista ao falar do mercado externo. “Este preço baixo é culpa de vários fatores. O dólar caiu muito e com o excesso de produção argentina e americana, tudo faz com que o preço do produto nacional sofra cada vez mais queda. Do jeito que a economia anda, os produtores e a industria terão problemas sérios e isso custará muito caro para a sociedade, pois acarretará na destruição do setor produtivo”, finaliza.